CORRUPÇÃO NÃO TEM IDEOLOGIA
Corrupção não veste camisa. Não usa vermelho, azul, verde ou amarelo. Não pede licença na porta do partido e muito menos pergunta em quem você votou antes de entrar. Ela simplesmente entra. E, quando encontra a porta aberta, senta-se à mesa, puxa a cadeira, serve-se do dinheiro público e ainda deixa a conta para o cidadão pagar.
A história política brasileira mostra que investigações, denúncias e condenações alcançaram gente da esquerda, do centro e da direita. Mensalão, Lava Jato e tantas outras operações colocaram no mesmo palco políticos de diferentes partidos e ideologias. PT, MDB, PP, PL, PTB, PSDB e tantos outros nomes apareceram, em momentos diferentes, nos autos, nas investigações, nas denúncias ou nas condenações.
E aqui é preciso separar o joio do trigo, porque política também é território fértil para a injustiça. Ser citado não é ser condenado. Ser investigado não é ser culpado. Ser denunciado não significa que a culpa esteja provada. E uma condenação anulada não pode continuar sendo apresentada como se ainda fosse uma sentença válida. Justiça não pode funcionar na base do “ouvi dizer”.
Mas há uma verdade que permanece de pé, mesmo depois que as manchetes envelhecem: corrupção não é patrimônio de uma ideologia. Não pertence à esquerda, à direita ou ao centro. Pertence — quando acontece — ao corrupto.
O problema é que, no Brasil, às vezes o cidadão veste a camisa do partido como quem veste a camisa do time. Se o adversário rouba, é escândalo. Se o meu rouba, aparece logo uma explicação filosófica, uma justificativa histórica, uma conspiração internacional ou aquele velho argumento de botequim: “mas o outro fez muito pior”.
E assim seguimos.
O corrupto de esquerda encontra defensores à esquerda. O corrupto de direita encontra defensores à direita. O de centro, coitado, consegue até o privilégio de ser defendido pelos dois lados, dependendo da conveniência.
Enquanto isso, o dinheiro continua sendo público — mas a conta continlua sendo privada para o cidadão que paga imposto, espera atendimento no hospital, enfrenta a fila, vê a escola deteriorar, a estrada esburacar e pergunta, com aquela ingenuidade que ainda nos resta: “Para onde foi o meu dinheiro?”
Talvez seja hora de abandonar essa torcida organizada da política. Não precisamos de políticos santos. Precisamos de instituições funcionando, fiscalização funcionando e Justiça funcionando.
Porque o dinheiro público não tem partido.
E, quando alguém mete a mão nele, pouco importa se está de terno azul, vermelho, verde ou amarelo.
A mão é a mesma.
O dinheiro é nosso.
E corrupção continua sendo corrupção