Dizem que a oposição exagera.
Vive procurando rachadura em porcelana chinesa,
farejando fumaça em fábrica de incenso,
catando pelo em ovo de pata manca
num galinheiro cercado de patriotismo, Bíblia e transmissão ao vivo.
Ora, convenhamos…
Que mal pode haver numa amizade antiga, sólida e quase matrimonial entre o senador Flávio Bolsonaro e certos personagens folclóricos do subsolo carioca?
Amizade é coisa sagrada.
Jesus tinha doze.
Dom Corleone tinha vários.
O importante é cultivar vínculos.
E esse tal de Queiroz?
Perseguido injustamente, coitado.
Um homem simples, praticamente um caixa eletrônico com CPF.
Daqueles que aparecem sempre na hora certa,
carregando envelopes, boletos, lealdades e mistérios,
como um escoteiro da velha guarda nacional.
Mas o Brasil é ingrato com seus heróis discretos.
Pegaram também no pé da gloriosa loja de chocolates.
Ah, os chocolates…
Nunca antes na história deste país um bombom vendeu tanto desde a fábrica do Willy Wonka.
Aquilo não era comércio.
Era milagre econômico açucarado.
Cada trufa parecia conter dentro: cacau, castanha e um fundo imobiliário.
Enquanto isso, a esquerda desconfiada fazia contas.
Logo a esquerda, que nunca acreditou no empreendedorismo gourmet da família tradicional brasileira.
“Como pode faturar tanto?”
Perguntavam os incrédulos.
Ora, simples: talento.
Marketing.
Meritocracia.
E talvez um brigadeiro de criptomoeda recheado com prosperidade liberal.
Também implicaram com imóveis pagos em dinheiro vivo.
Preconceito social explícito contra o dinheiro em espécie.
Desde quando carregar malas de notas virou crime?
Antigamente chamavam isso de “economia aquecida”.
O brasileiro perdeu a poesia.
Hoje qualquer cidadão não pode mais comprar apartamento como se estivesse adquirindo melancia na feira.
Tudo virou suspeita.
Tudo vira manchete.
Tudo vira CPI, podcast, documentário e thread no X.
A verdade é que querem enlamear a imagem impoluta do pacato cidadão de boas intenções, herdeiro legítimo do sobrenome mais televisionado da República desde as novelas da Manchete.
E como ele idolatra o pai…
Ah, o pai.
Jair Bolsonaro paira sobre ele como um busto falante de bronze patriótico, desses que choram cloroquina e cantam hino nacional em manhã de domingo.
Pai é pai.
E quem sai aos seus… não degenera.
No máximo viraliza.
Talvez esteja mesmo destinado a concluir a missão que o Messias não conseguiu terminar, interrompido — segundo os fiéis — não pelos próprios erros, jamais!, mas pelas forças ocultas, pelas engrenagens do sistema, pelos druidas do STF, pelos alquimistas da imprensa, pelos reptilianos marxistas infiltrados no cafezinho institucional.
O Messias foi tolhido como sussurram certos profetas de grupo de WhatsApp entre um emoji de bandeira e outro de fogo.
Mas a esperança continua.
Porque no Brasil a realidade não precisa fazer sentido.
Precisa apenas ter torcida organizada.
E enquanto houver patriotismo embalado a vácuo,
bombom gourmet de prosperidade suspeitamente divina
e apartamentos brotando do chão como maná imobiliário,
sempre haverá alguém disposto a jurar, de mão sobre a Constituição e outra no Pix:
— Isso tudo não quer dizer absolutamente nada.
#poetaacdepaula #escritoracdepaula