TAMOS AÍ! — Manifesto da Música Negra
Batida que não se cala. Pulso que atravessa ruas.
Groove que é resistência. Raiz que não se dobra.
Nos corpos que dançam, Nos vinis que giram,
No espírito que não se cala:
TAMOS AÍ!
Nós estamos aqui, e corre em nossas veias o vermelho rubi que remete a Palmares, nosso tambor não se cala, nosso atabaque ecoa o som que conecta o ogan aos Orixás, nosso berimbau não se curva, nosso sax, nosso piano, nossas vozes — todas, nos pontos cantados ou nos louvores, todas — ecoam pelos templos, pelos terreiros, pelas ruas, pelas praças, pelos salões.
A música é a arte de combinar ritmo e melodia, timbre e harmonia que expressam ideias, emoções, narrativas, o músico, o poeta, o compositor são os alquimistas que combinam, sonhos, realidade, sentimentos, emoções. A música guardadas as devidas proporções, é um ato de rebeldia, e a música negra é um ato de resistência. Não é apenas som, é memória, é história que pulsa nas artérias da cidade, é poesia que dança nos becos e se revela nos bailes, nos carnavais, nas rádios clandestinas. Ela sobreviveu à violência, ao racismo, à negação, e, ainda assim, até hoje ela cresce, se transforma, se reinventa.
Nós estamos aqui, nosso groove é mais forte que o preconceito, nosso ritmo é mais largo que a exclusão. Cada nota é um grito de liberdade, cada melodia é ponte entre passado e futuro, cada dança é manifesto de alegria, de orgulho, de existência. A música negra não é passado. Ela é presente que resiste, é futuro que se anuncia. Ela é o coração da cidade, o corpo da festa, o espírito do povo.
Não pedimos licença para existir. Não esperamos permissão para pulsar. Não nos desculpamos por ocupar o espaço que sempre foi nosso. Tamos aí! E quem ouvir, não vai esquecer. Quem dançar, não vai calar. Quem sentir, não vai negar. Porque música negra é vida. Música negra é resistência. Música negra somos nós.
E nós, Tamos Ai!