COMUNISMO NO BRASIL
COMUNISMO NO BRASIL: VERDADE OU UTOPIA?
#poetaacdepaula
O comunismo no Brasil
é como mula-sem-cabeça:
todo mundo jura que viu,
ninguém nunca fotografou,
em que pese quase todo mundo,
gracas a evolução tecnológica,
viver com uma camera
sempre à disposição.
Aparece sempre em véspera de eleição,
assombra grupos de WhatsApp,
invade igrejas aos domingos,
toma café com medo
e janta fake news.
Dizem que ele vem aí,
de foice na mão
e manual soviético no bolso,
pronto para confiscar geladeiras,
tomar a casa própria
e transformar o churrasco de domingo
em assembleia popular
com pão seco e água ideológica.
Mas o comunismo brasileiro,
esse mesmo que tanto gritam combater,
nunca passou da porta de embarque.
Ficou preso na alfândega da realidade,
barrado por juros altos,
burocracia estatal
e um capitalismo que engole tudo,
até discurso revolucionário em promoção.
Enquanto isso,
o Brasil real segue firme:
bancos batendo recordes,
bilionários multiplicando zeros,
terra concentrada,
salários mínimos no rodapé
e pobres financiando o próprio sufoco
em doze vezes sem juros —
ou melhor, com todos eles.
Curioso é que o medo do comunismo
cresce exatamente onde ele nunca esteve.
Nunca estatizou banco,
nunca acabou com a propriedade privada,
nunca eliminou a elite econômica.
Mas, ainda assim,
assusta mais do que fome,
desigualdade,
corrupção estrutural
e privilégios hereditários.
Aqui, o comunismo virou espantalho retórico,
fantasma conveniente,
cortina de fumaça para esconder
que o problema nunca foi ideologia,
mas caráter.
Nunca foi sistema,
mas quem se senta na cadeira
e usa o Estado como herança familiar.
No Brasil,
quem mais grita “comunismo!”
normalmente mama no Estado,
ama subsídio,
defende privatização só para o lucro
e socialização apenas do prejuízo.
E assim seguimos:
lutando contra um inimigo imaginário
enquanto a realidade nos assalta
à luz do dia,
com recibo, contrato e assinatura reconhecida.
Se o comunismo aqui é verdade?
Não.
É mito.
É muleta discursiva.
É medo embalado a vácuo
para consumo rápido.
Se é utopia?
Talvez.
Mas não mais utópico
do que acreditar
que um país desigual pode dar certo
sem justiça social,
ou que o mercado sozinho
vai abraçar quem sempre empurrou para fora.
No fim das contas,
o comunismo brasileiro
é só isso:
uma palavra usada para não dizer outras —
privilégio,
ganância,
medo de perder o que nunca foi dividido.
E a história,
essa senhora sem paciência,
segue anotando tudo.
Sem ideologia,
sem paixão.
Apenas fatos.
E eles, como sempre,
não pedem licença para desmentir narrativas
AC de Paula
Enviado por AC de Paula em 13/01/2026