O dia e a noite se buscam em vão,
amantes distantes de um tempo partido,
quando um desperta, o outro adormece,
quando um se entrega, o outro é perdido.
Tocam-se apenas na linha do tempo,
onde o sol se curva e a lua espreita,
beijam-se em sombras, dançam em rastros,
mas nunca se têm na luz perfeita.
São versos dispersos do mesmo poema,
escritos no céu, mas sem se tocar,
condenados ao sonho de um dia impossível,
onde possam, enfim, juntinhos ficar.