Tanto discurso vazio, cheio de más intenções, tanta conversa fiada, diversas opiniões. Palavras soltas ao vento, sem lastro, sem direção, pintam promessas de ouro, mas entregam ilusão.
O palanque se ergue alto, a voz ressoa altiva, e a plateia, entorpecida, aplaude a narrativa. É um teatro sem ensaio, um roteiro improvisado, onde a verdade se perde num mar de frases de impacto.
E as manchetes se multiplicam, notícias vão e vêm, mas no fundo nada muda, só e começa o desdém. O verbo veste gravata, desfila em solenidade, mas o que falta nas ruas ainda é dignidade.
Palavra que não se cumpre, discurso que não se faz, é tinta jogada ao vento, promessa que se desfaz. Enquanto falam bonito, a vida segue sem rima, e o povo, no seu compasso, espera a luz na neblina.
Mas a luz no fim do túnel não é a que se espera, passa o tempo, tudo passa, novos ventos, nova era. E o ciclo se repete, como um relógio sem ponteiro, onde o ontem e o amanhã giram no mesmo roteiro.
A esperança se refaz, costurada de retalhos, caminha sobre promessas, tropeçando em seus atalhos. O povo aguarda o dia em que o sol há de brilhar, mas a sombra do descaso insiste em não passar.
Mudam cores, mudam frases, trocam-se os personagens, mas no palco da história seguem as mesmas mensagens. Até quando o verbo oco ditará nosso destino? Até quando a voz do povo será só um desatino?
Que os ventos dessa nova era tragam mais que utopia, que a palavra tenha peso, que o discurso seja guia. Que a luz no fim do túnel não engane a multidão, mas ilumine os passos na direção da razão.