AC DE PAULA
Dom Quixote Tupiniquim
Textos

Palavras Vazias

 

Tanto discurso vazio, cheio de más intenções, tanta conversa fiada, diversas opiniões. Palavras soltas ao vento, sem lastro, sem direção, pintam promessas de ouro, mas entregam ilusão.

O palanque se ergue alto, a voz ressoa altiva, e a plateia, entorpecida, aplaude a narrativa. É um teatro sem ensaio, um roteiro improvisado, onde a verdade se perde num mar de frases de impacto.

E as manchetes se multiplicam, notícias vão e vêm, mas no fundo nada muda, só e começa o desdém. O verbo veste gravata, desfila em solenidade, mas o que falta nas ruas ainda é dignidade.

Palavra que não se cumpre, discurso que não se faz, é tinta jogada ao vento, promessa que se desfaz. Enquanto falam bonito, a vida segue sem rima, e o povo, no seu compasso, espera a luz na neblina.

Mas a luz no fim do túnel não é a que se espera, passa o tempo, tudo passa, novos ventos, nova era. E o ciclo se repete, como um relógio sem ponteiro, onde o ontem e o amanhã giram no mesmo roteiro.

A esperança se refaz, costurada de retalhos, caminha sobre promessas, tropeçando em seus atalhos. O povo aguarda o dia em que o sol há de brilhar, mas a sombra do descaso insiste em não passar.

Mudam cores, mudam frases, trocam-se os personagens, mas no palco da história seguem as mesmas mensagens. Até quando o verbo oco ditará nosso destino? Até quando a voz do povo será só um desatino?

Que os ventos dessa nova era tragam mais que utopia, que a palavra tenha peso, que o discurso seja guia. Que a luz no fim do túnel não engane a multidão, mas ilumine os passos na direção da razão.

 

AC de Paula
Enviado por AC de Paula em 01/02/2025
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